Publicado em: qui, jan 22nd, 2015

Água das usinas só daria para um mês de energia

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Como há outras fontes de energia, o sistema nacional consegue suportar o consumo durante mais tempo

Na última terça-feira, os reservatórios do subsistema Sudeste/Centro-Oeste estavam com 17,63% de armazenamento (no ano passado, nessa mesma época, o nível dos lagos da região estava em 40%); do Nordeste, 17,32%
FOTO: AGÊNCIA REUTERS

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Segundo o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, será feito um empréstimo de R$ 2,5 bilhões para quitar despesas de novembro e dezembro
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São Paulo. A seca que atinge as regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste reduziu tanto o nível dos reservatórios que, se não chovesse nada nas próximas semanas, a quantidade de água armazenada atualmente daria apenas para um mês de consumo de energia em todo o Brasil.

Os dados foram compilados pelo Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Energético (Ilumina), com base em dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). “A verdade é que não vimos uma situação como essa nem em 2001 (ano do racionamento)”, afirma o presidente do Ilumina, Roberto Pereira D’Araújo.

Na última terça-feira, dia 20, os reservatórios do subsistema Sudeste/Centro-Oeste estavam com 17,63% de armazenamento (no ano passado, nessa mesma época, o nível dos lagos da região estava em aproximadamente 40%); do Nordeste, 17,32%; do Norte, 35,26%; e do Sul, 67,84%, de acordo com dados retirados do site do ONS.

Sustento do consumo

Como o sistema nacional tem outras fontes de energia, como eólicas e térmicas, e a expectativa é que chova, mesmo que pouco, o sistema consegue suportar o consumo durante mais tempo. “Mas esse é um dado que mostra como o Brasil, que depende quase 70% da hidreletricidade, está descuidando da fonte de energia”, afirma D’Araújo.

Na avaliação dele, a situação atual é resultado de uma expansão da oferta baseada em térmicas caras, que só entram em operação em casos extremos, como no ano passado. Apesar de a capacidade instalada do País aumentar, as hidrelétricas são sobrecarregadas, pois acabam tendo de gerar pelas térmicas que não entram em operação, afirma o executivo, especialista na área de energia elétrica.

“Em 2012, por exemplo, a energia hídrica representava cerca de 68% da matriz elétrica brasileira, mas produzia 90% do consumo. Hoje temos menos água nos reservatórios porque não usamos as térmicas”.

Ordem de operação

Pelas regras do ONS, as usinas obedecem a uma fila para entrar em operação. Primeiro entram as unidades mais baratas. Se o valor da térmica superar o valor do mercado à vista (PLD), que ficou boa parte do ano passado em R$ 822 o MWh, a diferença entre o preço da energia e o PLD é transferido para a tarifa do consumidor, que acaba tendo que arcar com os custos elevados.

Como um dos lemas do governo da presidente Dilma Rousseff sempre foi a redução dos preços da energia, as térmicas ficaram em stand by enquanto a água dos reservatórios foi consumida. “Não houve cuidado para preservar o nível de armazenamento. A única preocupação foi a modicidade tarifária”.

Solução

Para Cristopher Vlavianos, da comercializadora Comerc, a saída para o Brasil será apostar nas térmica na base – isso significa operar initerruptamente. “Caso contrário, vamos depender cada vez mais das chuvas”.

Dívidas deverão ter juros reduzidos

Brasília. A renegociação dos empréstimos contratados em 2014 por distribuidoras de energia junto a bancos deverá envolver redução de taxas de juros dos financiamentos e alongamento de prazos, defendeu ontem o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, em entrevista à agência de notícias Reuters. Segundo o ministro, após a definição do repasse da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) para as tarifas de eletricidade, a situação de geração de caixa das distribuidoras vai melhorar e comportar revisão do contrato de empréstimos das empresas.

“A qualidade do recebível melhorou. A geração de caixa melhorou, portanto não faz sentido não alongarmos o contrato e não revisarmos a taxa de juros que foi cobrada, que foi taxa de juros de mercado, porque o risco é menor”, disse Braga. “Claro que tem de reduzir (os juros)”, insistiu. Em, 2013, os bancos concederam dois empréstimos de R$ 17,8 bilhões às distribuidoras de energia do País para ajudá-las a fazer frente aos pesados gastos gerados pela compra de energia.

Um último empréstimo, de R$ 2,5 bilhões, ainda será buscado para quitar as despesas de novembro e dezembro das distribuidoras no mercado de curto prazo. Segundo Braga, a renegociação das condições dos empréstimos de 2014 ao setor será feita conjuntamente com as tratativas para a liberação do financiamento adicional agora.

Racionamento

O ministro descartou a necessidade de o governo realizar qualquer tipo de racionamento de energia e tampouco de fazer uma campanha pela racionalização do consumo pela população.

Concessionárias já estudam o reajuste extraordinário

O período, geralmente em fevereiro, para iniciar os pedidos de revisão e de reajustes tarifárias das 64 empresas que compõem o setor elétrico brasileiro, ainda nem chegou, mas algumas concessionárias de energia elétrica já começaram a solicitar à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) uma revisão tarifária extraordinária (RTE) e já sinalizam com a possibilidade de adoção de medidas judiciais relacionada ao reajuste.

O conselho de administração da estatal elétrica mineira Cemig Distribuição aprovou ontem, autorização nesse sentido e já registrou a ata da reunião na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Já a Companhia Energética do Ceará (Coelce), aguarda apenas “as definições da (Aneel) com relação aos procedimentos e prazos deste processo”, para se posicionar. A reunião da Aneel para definição do valor da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) – fundo que cobre as principais despesas e subsídios do setor – irá ocorrer até o próximo dia 3.

Rateio em cotas

A definição das cotas relativas a cada uma das 64 empresas deveria ter ocorrido na última terça-feira, 20, mas foi adiada a pedido do próprio diretor relator da Aneel, Thiago Coelho, devido o pacotaço de tributos anunciados no início da semana pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levi.

Analistas do setor elétrico calculam e a própria Agência não nega é que esse montante chegue a R$ 23 bilhões, valor a ser rateado, em cotas, com as concessionárias de energia, para repasse nas contas de energia dos usuários, ainda este ano. A conta decorre de “subsídios”, a título de empréstimos, que as concessionárias obtiveram do governo para comprar energia das termelétricas, diante da escassez do insumo hidrelétrico.

Parcelamento

“Essa energia já foi consumida nos últimos dois anos. Agora chegou à realidade, para as tarifas”, lembra o assessor técnico da área de energia, da Fiec, Jurandir Picanço. Conforme disse, se a conta for repassada toda de uma vez, o reajuste este ano, somado ao percentual da revisão tarifária, que no caso da Coelce, ocorrerá em abril, pode chegar a 40%, descabido para o bolso do consumidor, seja residencial, industrial ou comercial.

Esse percentual, explica Picanço, irá variar de acordo com a cota de cada uma das concessionárias. “O percentual (do aumento na conta de luz) ainda está indefinido, mas já se sabe que será acima da inflação”, alertou Picanço. “Esse aumento extraordinário terá de ser forçosamente diluído em dois ou três anos”, reforça o consultor econômico da Fiec, Fernando Castelo Branco.

ONS importa carga extra da Argentina

Brasília. Depois do apagão que atingiu 11 Estados e o Distrito Federal e no mesmo dia que Brasília sofreu um apagão de cerca de 2 horas, o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) importou uma carga adicional de energia da Argentina para atender a demanda no horário de pico. Segundo o relatório IPDO (Informativo Preliminar Diário da Operação) do ONS, referente a última terça-feira (20), o País importou uma média de 165 MW ao longo do dia. Essa transferência no horário de pico, registrado às 14h48, atingiu 998 MW. A Aneel considera que 1 MW abastece uma residência em um mês inteiro.

No boletim, o ONS disse que o pedido foi feito para reforçar o abastecimento das 10h23 às 12h e das 13h às 17h02. A carga foi destinada ao sistema Sudeste/Centro-Oeste. Desde 2010 que não se realizava esse tipo de operação entre os países. A importação está relacionada com um acordo entre os dois países e serve para que um país possa solicitar ao outro o envio de energia.

Governo deixa prioridades de lado

Brasília. As determinações feitas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) costumam ser prontamente atendidas pelos agentes do setor de energia. Mas estão longe de ter a mesmo aceitação pelo governo, quando o assunto é a expansão e o reforço das linhas de transmissão de energia do País.

Dados do próprio ONS, responsável pela segurança energética nacional, apontam que o governo tem deixado de executar mais de um terço das obras indicadas pelo operador, como prioritárias para garantir o abastecimento do País. A informação foi revelada pelo jornal O Estado de São Paulo, em dezembro.

No chamado Plano de Ampliações e Reforços (PER), elaborado todos os anos, o ONS aponta quais são os projetos de linhas de transmissão e de subestações de energia que precisam ser contratados, para afastar o País de panes graves e riscos de apagão.

O planejamento concluído no fim do ano passado aponta que 104 dos 310 projetos previstos para sair do papel, entre 2015 e 2017, são resultado de pedidos anteriores, ou seja, voltaram a ser cobrados pelo ONS, simplesmente porque o governo não os contratou.

Esses projetos representam 34% do total dos empreendimentos. A relação de ações necessárias para dar segurança técnica à distribuição de energia inclui 147 instalações novas de linhas e subestações, além de outras 163 medidas de reforço.

Sem previsão

O ONS estima que seria necessário investir R$ 13,8 bilhões, nessas obras. Ocorre que a maior parte dos pedidos não tem previsão de licitação. Dos 45 mil km de novas linhas de transmissão previstas até 2017, 10,2 mil Km ainda não tinham estimativa de concessão até o fim de 2014.

 

Fonte: http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/negocios/agua-das-usinas-so-daria-para-um-mes-de-energia-1.1203099

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