Publicado em: ter, set 30th, 2014

Seca faz nascentes na Serra da Canastra perderem um quilômetro de extensão

20140929071216337397i

Segundo especialistas, situação na Canastra, onde nasce o Velho Chico, e em todo o Centro-Oeste de Minas Gerais, é crítica e deve ser cuidada com urgência

O Rio São Francisco já perdeu um quilômetro de extensão nas suas nascentes, na Serra da Canastra, Região Centro-Oeste de Minas, por causa da seca que castiga a região. A constatação é de um grupo de autoridades, representantes de instituições de ensino e ambientalistas que, na tarde de sábado, visitou o trecho afetado pela longa estiagem e destruído por incêndios florestais. “A situação é bem pior do que imaginávamos. Se não chover logo, o problema vai se agravar, pois verificamos, em muitos municípios, um quadro crítico, com lagoas, córregos e rios secando”, disse, ontem, o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica dos Afluentes do Alto São Francisco, formado por 29 cidades, e secretário de Meio Ambiente de Lagoa da Prata, Lessandro Gabriel da Costa.

Para propor medidas emergencias, especialmente quanto ao abastecimento humano, a Câmara Consultiva Regional do Alto São Francisco, integrante do comitê federal do São Francisco, vai se reunir amanhã, em Belo Horizonte. “No Centro-Oeste, registramos falta de água em Arcos, Pará de Minas, Santo Antônio do Monte e Bom Despacho. No Norte, a questão envolve também prejuízos para o setor de turismo em Pirapora. Se não tivermos chuva, medidas eficazes e conscientização das comunidades, vamos ter racionamento e enfrentar uma séria escassez”, prevê o secretário.

O trecho seco vai até a estátua de São Francisco, marco que se tornou símbolo do berço mineiro do chamado “Rio da Unidade Nacional”. Impressionado com o cenário de desolação, conforme foi mostrado em reportagem do Estado de Minas, Lessandro disse que a população precisa estar preparada, evitando o desperdício do recurso natural e evitando de vez as queimadas, prática que se alastra, acaba com a biodiversidade e extermina as matas protetoras. Nesse rastro onde o cinza se sobrepõe ao verde, os animais agonizam ou morrem esturricados.

Onde antes havia água hoje só se vê mato seco. Para ambientalistas, o cenário é de total desolação
 (Arquivo Pessoal)

Onde antes havia água hoje só se vê mato seco. Para ambientalistas, o cenário é de total desolação

“Não há mais árvores em volta das nascentes. Queimou tudo, mas não adianta também fazer o replantio agora, no seco”, afirma o secretário, certo de que é fundamental estar em alerta. “Ninguém nunca se preparou para a falta de água. Pode ser que chova muito em breve, mas esse momento nos dá uma lição: a água é recurso finito. É preciso aprender isso”, afirmou. “Minas está na frente, no país, em áreas destruídas pelo fogo; o reservatório de Três Marias se encontra muito baixo, com risco para geração de energia. Enfim, temos que ter um plano A.”.

Outra medida importante se relaciona à outorga em toda a bacia. No período crítico de seca, grandes consumidores, que respondem por 90% do total do consumo de água (70% do agronegócio e 20% das indústrias), poderão ser obrigados a aderir ao racionamento, com pedido à Agência Nacional das Águas (ANA) e ao Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) para revisão das outorgas. A previsão é de que, em menos de duas semanas, esteja concluído o levantamento do volume de água dos usuários do agronegócio, indústrias e do Projeto Jaíba, no Norte de Minas, que usam volume acima de 1 metro cúbico de água por segundo.
Ações

A situação na nascente do São Francisco preocupou o secretário municipal de Meio Ambiente de São Roque de Minas, André Picardi, também integrante do comitê da bacia do Alto São Francisco. A exemplo de Lessandro, ele não acredita em intervenções físicas, como o plantio de árvores, para resolver a os dramas no período seco. O mais indicado, ressalta, é auxiliar a unidade de conservação – o Parque Nacional da Serra da Canastra, vinculado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão ambiental federal – num plano de manejo contra o fogo, incluindo a construção de aceiros e outras iniciativas.

“O cenário que vimos é desolador e deixa qualquer um muito triste. O fogo pode fazer parte do ciclo do cerrado, mas não dessa forma. Moro aqui na região há 20 anos e temos que pensar no futuro”, disse Picardi. Como dado, ele cita o trabalho da Justiça Federal de Passos, no Sul de Minas, para resolver conflitos referentes à velha questão fundiária na Serra da Canastra, criado em 1972. “Há 150 processos tramitando na comarca e vemos agora uma conciliação com os proprietários de áreas confrontantes com o parque”, disse o secretário.

Participaram também da visita os diretores do parque nacional, representantes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Pains, da Emater e da PUC Minas de Arcos, Instituto Mineiro de Gestão das Águas, Escola Superior de Meio Ambiente de Iguatama e Agência da Bacia do São Francisco Peixe Vivo.

Fonte: http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2014/09/29/interna_gerais,573784/seca,,,

Comente com o facebook



Mais abaixo comente sem ter conta no facebook

Deixe um comentário

XHTML: Você pode usar estas tags html: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Licença Creative Commons
O trabalho Segundo Sol está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-Compartilha-Igual 4.0 Internacional.
A cópia é estimulada desde que seja citada a fonte.

Este blog tem finalidades exclusivamente informativas e exprime as opiniões pessoais e subjetivas do autor.
Este blog não garante a exatidão do conteúdo fornecido nem pode ser considerado responsável por eventuais erros ou inexatidões das informações presentes no blog ou nos links externos. Este blog não é responsável pelos conteúdos inseridos por parte dos internautas na seção "Comentários".
Se em alguma publicação, direitos de autor ou de terceiros forem violados, por favor, contactar com o blog para podermos remover o conteúdo, escrever para: contato@segundo-sol.com informando o link. O conteúdo será prontamente removido.

Liberdade de Expressão
É importante esclarecer que este blog, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal ...
veja mais aqui

Print